Kenneth Branagh é mais conhecido no meio cinematográfico pelas suas competentes adaptações do dramaturgo Shakespeare para as telonas. Conhecedor de tal universo, não era de se espantar que ele sentisse atraído pela saga épica de Thor.
A mais nova adaptação dos quadrinhos para o cinema da Marvel tem como personagem principal o Deus do Trovão (Chris Hemsworth), filho de Odin (Anthony Hopkins). O rapaz, herdeiro ao trono de Asgard, possui pavio curto, impetuoso e comportamento estourado. Após um atitude precipitada, na qual ele ocasiona um impasse com os principais inimigos dos asgardianos, a saber, os Gigantes do Gelo, Thor é banido de Asgard pelo seu próprio pai. Enviado à Terra, ele precisará aprender importantes lições de humildade e humanidade se quiser tornar-se digno de brandir novamente sua arma, o martelo Mjolnir, e com ele seu poder imortal. Mais Shakespeare, impossível!
Saem os raios gama e e os aparatos tecnológicos e entra um deus. Há uma certa evolução das tramas apresentadas pela Marvel. E o cuidado visual que eles tiveram com Thor é visível logo nos primeiros frames. A construção de Asgard e todo o meio cultural de seu povo é de deixar qualquer um de queixo caído. O apuro com os figurinos, o design da cidade, a iluminação e as cores é de deixar qualquer um, mesmo aqueles que nunca pegaram uma HQ do Thor (como eu), completamente estupefato. O empenho da equipe técnica em tornar crível esse universo é merecedor de tirar o chapéu.
Mas uma excelente parte técnica não seria nada se não houvessem atores competentes para dar vida aos diálogos. E, nesse quesito, a Marvel também não economizou recursos (#jurassicparkfeelings). A contratação de Anthony Hopkins como Odin confere um enorme peso e uma inegável nobreza ao personagem. Acredito que se Shakespeare o tivesse conhecido, o papel de Rei Lear teria sido escrito com o ator em mente. Tom Hiddleston é outro que segura muito bem, especialmente quando contracena com Hopkins, nas melhores cenas do filme. O jovem ator, vivendo Loki, filho adotivo de Odin, não decepciona e é capaz de arrancar aplausos. Hemsworth não compromete e possui a força (literalmente! que músculos são aqueles, meu povo!) necessária para viver Thor. Natalie Portman, inserida como interesse amoroso do herói e a razão pela qual ele promete lealdade eterna na proteção da Terra, está super fofinha e convincente.
Os principais problemas do filme estão no roteiro de J. Michael Straczynski e Mark Protosevich. Quando a trama está em Asgard, a película flui lindamente e é uma festa para os sentidos. No entanto, ao descer à Terra, há uma sensível perda na qualidade geral. Para tornar a trama mais apelativa e criar uma identificação com o público, inserem-se relacionamentos tipicamente humanos e igualmente forçados. Essa tentativa de conquistar o maior número de pessoas e tornar o filme mais "terreno" acabou enfraquecendo a força do longa. Não que isto seja ruim. Mas impediu Thor, por exemplo, de tornar-se um referencial em filmes de super-heróis como o é Cavaleiro das Trevas.
Agora é aguardar a união de todo esse universo Marvel no filme dos Vingadores. Aí então saberemos se os ambiciosos planos da jovem produtora terão sido plenamente conquistados.

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