Sunday, July 10, 2011

Malu de bicicleta (Brasil , 2010 - 90 min.)

Muito falou-se sobre esse tal Malu de bicicleta, chegando a promover algumas comparações (indevidas, por sinal) com Woody Allen e sua maneira paranoica de filmar relacionamentos amorosos. Isso me deixou minimamente empolgado para conferir. E quando descobri que o filme foi baseado em um livro de Marcelo Rubens Paiva, e que o autor cuidou do roteiro, a empolgação só aumentou. E então, eu comecei a assistir ao filme.
Luiz Mário (Marcelo Serrado) é um empresário mulherengo, que trabalha com a noite paulistana e coleciona casos amorosos. Apesar disto, não consegue realmente se envolver com nenhuma delas. Um desses casos não aceita o término, invade o clube noturno no qual Luiz Mário é dono e tenta atacá-lo com uma faca. Precisando de um tempo para si, Luiz parte em férias forçadas para o Rio de Janeiro. Um dia, é atropelado de bicicleta por Malu (Fernanda de Freitas) na ciclovia do Leblon. Eles logo se envolvem e vivem um romance perfeito, que apenas é abalado devido a uma enigmática carta de amor, desencadeando uma paranoia na cabeça de Luiz.
Não li o livro homônimo de Rubens Paiva, mas é fácil reconhecer seu estilo de escrita nas situações propostas pelo longa e, especialmente, nos diálogos. O foco na vida de solteiro e nas dificuldades em adaptar-se à vida a dois rendem algumas cenas cômicas, não necessariamente hilariantes. É um texto leve. Talvez leve demais. E toda essa leveza  faz de Malu de bicicleta um filme fraco.
A direção é dura e engessada. Há algumas tentativas de inovações na fotografia experimentando ângulos diferenciados, mas isso só aumenta a sensação de inexperiência do diretor Flávio Tambellini. Fica nítico que sua mão não é eficiente ao conduzir seus atores. Apesar dos elogios tecidos a Marcelo Serrado, tive a sensação de que o ator não entregou uma atuação esforçada. Seu Luiz é preguiçoso e perpetua a impressão de descaso com a película. Fernanda de Freitas é, no máximo, esforçada. A dupla de protagonistas não são primores como atores e isso pesou muito no resultado final. O destaque ficou mesmo por conta dos coadjuvantes Marcos Cesana e Thelmo Fernandes.
Outro aspecto positivo (é, eu não ia apenas malhar o filme) é a locação. As locações escolhidas no Rio de Janeiro e em São Paulo serviram para constratar muito bem a diferença dos estilos de vida levados em cada uma das capitais. E isso contribui para contar a história do filme.
Pena que o resultado final soe tão insignificante. Malu de bicicleta pode servir de distração para você enquanto passa os noventa minutos de sua projeção. Passado esse tempo, torna-se esquecível.

4 comments:

Adecio Moreira Jr. said...

Chegaram a comparar com Woody Allen?

É sério isso?

José Francisco said...

Sim, é totalmente sério isso. Li muitas, mas muitas críticas fazendo essa heresia...

Kaká said...

não vi o filme, ainda, mas gostei do livro. (baseado no livro, não acho que o marcelo serrado foi uma boa escolha, gente ele é carioca e não tão bom ator assim para fazer um paulista que não entende o amor pelo Rio #prontofalei)

José Francisco said...

Por isso que, no fim das contas, ele acaba não convencendo ninguém.