Sunday, January 22, 2012

Cavalo de guerra (War Horse EUA , 2011 146 min.)

Eu sou um grande admirador de Steven Spielberg. Mesmo. Sempre estive ao lado do diretor, mesmo nos maiores erros da carreira dele. No entanto, ao terminar de ver Cavalo de guerra receio que não ficarei tão ao lado dele assim. Explico.
O filme é baseado em um livro infantil de 1982 de mesmo nome. Spielberg se apaixonou pela obra enquanto realizava As aventuras de Tintim e decidiu que era a pessoa indicada para levar a história às telas. Escrito por Michael Morpurgo, o livro conta a emocionante amizade de um rapaz e um cavalo, que acabam sendo separados, mas cujas trajetórias continuam ligadas pelo destino durante a Primeira Guerra Mundial. Adquirindo os direitos, Spielberg enxergou nas páginas aquilo que considerou ser uma trama de apelo universal.
O cinema está cansado de contar histórias belíssimas oriundas da relação homem/animal. Elas sempre costumam render boas lágrimas no escurinho do cinema sem se esforçar muito para isso. Mas Spielberg exagerou na dose de açúcar ruim nesse melado e fez o filme mais raso de sua carreira.
Conhecedor de todos os artifícios para manipular seu espectador, o diretor colocou em prática tudo o que há de pior nas lições de marketing. Não há ousadia na maneira de contar essa história onde as emoções baratas transbordam. A cada frame é notada uma narrativa didática nauseabunda. Se houvesse um clichenômetro, este teria atingido a sua marca máxima durante a projeção de Cavalo de guerra. O roteiro parece uma cartilha de pré-escola onde as frases são repetidas exaustivamente até o aluno não ter dúvidas de que vovô viu a uva. A simbologia usada por Spielberg, também, não deixam margem para interpretações: tudo é muito bem explicado, muito explícito (como a desnecessária bandeirola militar que troca de mãos a cada 20 minutos para deixar bem marcado o seu significado).
Outro aspecto que incomoda bastante em Cavalo de guerra é o fato do filme parecer uma colcha de retalhos mal feita e com costura ruim. Assistir ao longa é como estar vendo o recorte de vários outros filmes já produzidos por Hollywood. Ecos de ...E o vento levou, Nada de novo no front,  o próprio O resgate do soldado Ryan e as produções dos estúdios Disney. Não que refencializar seja ruim (Tarantino está aí para isso), mas Spielberg "prestou essa homenagem" da forma mais infeliz possível. Não há articulação. As imagens soam forçadas, artificiais, sem fluência.
Além disso, o roteiro é apoiado em personagens coadjuvantes desnecessários e inexpressivos. Nem mesmo o excelente elenco consegue sustentar as fracas situações propostas pelos roteiristas. E o mais preocupante: o protagonista, Jeremy Irvine, um ator super bonitinho que não faria feio em Malhação; mas, com certeza, não foi a escolha mais acertada para Cavalo de guerra.
Os destaques positivos da produção ficam por conta dos detalhes técnicos, como som, direção de arte, figurino. Algumas cenas isoladas funcionam muito bem. As lutas, como esperado, são o ponto alto do filme, brilhantemente planejadas e com algumas imagens realmente empolgantes e o fuzilamento de desertores. No entanto, nada que segure o filme por muito tempo. Nem mesmo John Williams estava inspirado. Sua trilha, preguiçosa, serve apenas para atenuar os momentos de emoção e dizer ao espectador qual é a hora de chorar.
Cavalo de guerra é uma mancha medíocre na filmografia de Steven Spielberg. Hora do diretor repensar em seus próximos projetos para apagar rapidamente essa péssima impressão deixada por esse longa.

2 Opiniões expressas:

Alan Raspante said...

Não sou muito fã de filmes famílias e se tiver animais então... Aí eu corro. É isso, estou correndo deste filme.

José Francisco said...

Corra memso. Sério.