Americanos possuem uma queda inefável por filmes com o boxe como temática. Geralmente, o esporte é utilizado como metáfora para mostrar a transformação do homem e suas lutas internas. Do emocionante Rocky ao acachapante Touro indomável, Hollywood nos ensinou a vibrar e torcer por seus protagonistas. Apesar da previsibilidade de seu roteiro, Gigantes de aço desempenha sua função com louvor.
Estamos no futuro 2020 quando o boxe como o conhecemos atualmente deu lugar a uma sub-espécie de luta, vivenciadas por robôs comandados por humanos através de joystickies. Neste cenário, Charlie Kenton, ex-pugilista, tenta se virar como pode para sobreviver às lutas em arenas robóticas não-oficiais. Ferrado financeiramente, ainda vê-se obrigado a cuidar de seu filho, abandonado por ele há onze anos, depois da morta da mãe deste. Max é aficcionado por boxe de robôs, conhecendo detalhes técnicos e sendo fã do principal inventor de máquinas do gênero, Tak Mashido. Contudo, há muito tempo as lutas deixaram de ser tomadas pela emoção, sendo valorizadas apenas pelo alto teor de destruição e, neste quesito, Zeus, projetado por Mashido é considerado imbatível. O que ninguém esperava é o entusiasmo e o engajamento do menino Max, resopnsável pelo surgimento de Atom, um robô desacreditado que fará reascender a chama do amor ao boxe e aprender a admirar seu pai.
O papel de Charlie cai como uma luva para Hugh Jackman. O ator abraça a causa de seu ex-pugilista com tamanho carismo e consegue transmitir o arco crescente de seu personagem: de canalha sobrevivendo de bicos a pai devotado ao filho. Todavia, quem rouba mesmo a cena é o jovem Dakota Goyo. O intérprete mirim é cativante e absolutamente crível, levando a plateia às lágrimas, especialmente nas cenas finais. É um furacão interpretativo.
Os efeitos especiais do filme são de cair o queixo. Aplicando uma tecnologia semelhante à usada em Transformers, o espectador tira o máximo proveito da relação atores e animações de uma forma tão orgânica que esquece estar diante de efeitos. As cenas de batalha entre as máquinas são tão bem coreografas e tão "violantas", que tiram o fôlego de qualquer um que a assista.
A trilha sonora também vem a calhar, conduzindo com maestria spielberguiana a emoção e atenuando os momentos de conflitos.
Naturalmente, tudo isso é muito bem amarrado com um roteiro brilhante. Se não há nada de realmente inovador, ao menos emociona e diverte, sem desprezar o intelecto de quem assiste. Logo de início, fica muito claro que Gigantes de aço presta uma bela homenagem a Rocky - um lutador, contextualizando o boxe para o mundo moderno. Até mesmo a cena final foi uma honrosa citação ao filme que deslanchou Sylvester Stalone.
Filme para toda a família, Gigantes de aço é a aposta mais acertada para um bom programinha de fim de tarde.

1 Opiniões expressas:
Se eu fosse julgar pelo nome ou pela capa do filme, jamais diria que tivesse algo a ver com Rocky.
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