Ah, Ryan Gosling! O que os nossos corações solitários e suspirantes podem fazer diante de tão imagética presença? Desde Diário de uma paixão já damos vários sussurros no escuro do cinema e, de lá para cá, você só tem provado o quão versátil e talentoso é. Com Tudo pelo poder, o ator só vem confirmar o óbvio: é um dos melhores de sua geração. E o não reocnhecimento da Academia pelo melhor ano de trabalho dele, não quer dizer muita coisa. Há algum tempo deixei de levar a Academia a sério.
Tudo pelo poder é um denso thriller político, no qual o seu diretor, George Clooney está se tornando um especialista, vida a incursão dele ao gênero em Boa noite, boa sorte. A mira agora são as campanhas políticas e como estas podem ser sujas e trágicas.
O roteiro é baseado na peça Farragut North, de Beau Willimon e a trama se passa em Des Moines, Iowa, algumas semanas antes de o
partido democrata, o mesmo de Obama, escolher seu candidato para concorrer à presidência dos Estados Unidos. O foco da narração é o idealista diretor de comunicação Stephen Myers (Ryan Gosling), em campanha para que o governador Mike Morris (George Clooney)
vença as primárias. Em questão de dias, derrotado pelo jogo político
e por revelações íntimas, o idealismo de Stephen é reduzido a zero.
É um jogo já conhecido há séculos por quem trabalha na máquina política. Tudo é realizado, não pelos próprios candidatos, mas pelos ideias das pessoas que os cercam. Um político nunca está só. Há muito dinheiro e muito poder em jogo para deixar as decisões do voto nas mãos do povo. E filme escancara isso com certo espanto, como se isso fosse uma grande novidade e não algo de conhecimento desde a Idade Média quando títulos de nobreza eram concedidos aos aliados.
O longa mostra uma firmeza ainda maior na direção feita por Clooney. É notável a evolução do ator como diretor a cada longa. Sua busca por ângulos inusitados só mostra seu empenho em oferecer ao espectador um novo ponto de vista sobre a história apresentada.
O elenco é absolutamente soberbo. Gosling é outro cada vez mais seguro de seu papel como ator. É perceptível em seu rosto o declínio de seus ideais e da perda da inocência. Em sua voz transpassam todos os sentimentos contidos e velados do jogo baixo culimando na tragédia que se anuncia. Outro igualmente superior, mas isso nem é mais novidade, é Phillip Seymour Hoffmann. A cada criação desse fantástico ator, fico absolutamente arrebatado com o tamanho do talento dele.
Durante sua pouco mais de uma hora e meia, o espectador vê-se diante de um escândalo político feito nos bastidores, onde, segundo Clooney, a única saída é a fatalidade. Naturalmente, trata-se de um filme feito por um homem que se decepcionou um pouco com seu atual presidente. Isso reflete no tom quase cínico abordado, cedendo ao horror da descoberta de algo tão recorrente. Isso tira um pouco a força do longa. Mas, depois de ser arrebatado pelo brilhantismo de Gosling, as ideologias políticas ficarão em segundo plano. Especialmente se você apreciar a produção apenas como um bom entretenimento e não algo capaz de mudar o mundo.

2 Opiniões expressas:
Foi o primeiro filme que eu vi no cinema neste ano. Eu adorei. Foi a primeira vez também que eu vi filme sendo dirigido por George Clooney.
Gostei de Ryan Gosling aqui. Ele esteve incrível. Acho até que merecia uma indicação ao Oscar :)
E, cara, participe do Meme! Estou te convidando "pessoalmente". Adoraria ver a sua opinião!
Hahiuahiauhuiahuiahuiahuia... tá bom, participarei do Meme depois dessa, tá bom??? rs
E sim, Gosling está soberbo neste filme. Uma pena que foi preterido pela Academia.
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