Tuesday, March 20, 2012

A casa dos sonhos (Dream House EUA , 2011 - 92 min.)

Jim Sheridan é um cineasta que construiu algumas pérolas cinematográficas, dignas de total respeito e reconhecimento em qualquer parte que for. Meu pé esquerdo e Em nome do pai são apenas dois de seus mais memoráveis trabalhos, só para ficar no início da carreira dele. Contudo, suas mais recentes escolhas cinematográficas começam a manchar um pouco a reputação construída. A mais nova nódoa adquirida atende pelo nome de A casa dos sonhos.
Tudo estava planejado para ser um bom filme de suspense, trabalhando com os meandros da mente humana e sua incrível capacidade de adaptar-se às situações mais traumáticas para conseguir sobreviver sem sucumbir à insanidade. E, quando se pensa na equipe envolvida, tinha tudo para dar realmente sério. Daniel Craig, Rachel Weisz e Naomi Watts estavam no elenco. Além disso, só o nome de Sheridan envolvido no projeto tinha tudo para ser mais uma produção poderosa, envolvendo algum fator político caro à sociedade ou então um drama tocante que poderia fazer o espectador ter alguma ligação imediata com seus personagens.
Mas tudo deu enormemente errado. Talvez, o principal culpado de tudo seja mesmo o roteiro. Não é errado fazer um amálgama de diversas ideias, condensando-as em um único produto. Reza a lenda que só existem quinze roteiros originais em Hollywood e todos os outros são derivados destes. Porém, até reciclagem tem limite. E o pior de tudo é que o roteiro de A casa dos sonhos juntou tudo o que tinha de pior e de mais desgastados e conseguiu confeccionar algo incrivelmente ruim.
Na trama, Daniel Craig interpreta um executivo bem-sucedido da área editorial que larga o emprego em Nova York e se muda, com a esposa (Rachel Weisz) e as duas filhas, para uma linda casa numa cidadezinha do Estado de Connecticut. No entanto, não demora para que eles descubram que sua casa foi cenário do assassinato de uma mãe e seus filhos, provavelmente mortos pelas mãos do marido, que sobreviveu.
Toda a atmosfera do terror de casas mal assombradas é evocada nos primeiros minutos, com todos os segredos que ambientes assim podem conter. Mas os problemas evocados não são de espíritos perambulando pela casa. O maior de todos os males está no mundo dos vivos mesmo. Sheridan, em seus posicionamentos de câmeras, procura manter a família em foco durante todo o tempo, como se fosse extremamente importante presenciar como a todos os membros reagem aos sustos e às situações extremas.
Naturalmente, não dá pra continuar falando de A casa dos sonhos sem revelar maiores detalhes de sua trama e não é esse o objetivo do Sim, eu gosto de cultura pop. Contudo, resta saber que, ao descobrir a primeira grande reviravolta, o cinéfilo acostumado com revivoltas chocantes nem vai mais se dar ao luxo de expressar alguma surpresa. Tudo já foi feito; logo fica complicado ser inovador e supreendente. Como dito, o problema não é copiar; é copiar e ainda se julgar original. Isso sim é imperdoável. Resta à segunda reviravolta conter algum tipo de surpresa à trama, mas aí o doce já desandou e o espectador não tem mais paciência para se encantar com a novidade.
E isso apenas leva a carreira da Sheridan a um patamar a menos. Uma grande pena para o homem que conseguiu dirigir obras tão poderosas. Fica a torcida para que os próximos projetos consigam conferir alguma dignidade ao outrora promissor diretor.

4 comments:

Película Criativa said...

Sheridan se recusou a promover esse filme, isso não é um bom sinal.

José Francisco said...

Sim sim... mas, infelizmente, não removeram o nome dos créditos. Ele sabia a bomba que tinha em mãos.

BruxinhaGabis said...

Mas o poster é lindo!

José Francisco said...

Ah, isso é bem verdade.