Thursday, March 08, 2012

Missão Madrinha de Casamento (Bridesmaids EUA , 2011 - 127 min.)

Sou uma pessoa exigente com filmes em geral. Mas sou emblematicamente mais exigente com comédias. Posso até afirmar que sou extremamente chato com comédias. Meus amigos me indicam filmes do gênero dizendo que eu vou miurinar de tanto rir e, no fim das contas, o máximo que consigo é esboçar um sorrisinho compreensivo. É um bocado difícil me fazer rir. Geralmente, dou altas risadas com coisas que a maioria não vê a menor graça. Tenho um humor bastante peculiar e isso acaba fazendo com que comédias não tenham tanta graça para mim.
O que não é o caso desse Missão Madrinha de Casamento. Enxovalhado por alguns especialistas, ficou bastante evidente na seleção do Oscar que a décima vaga seria deste filme. Muitos chegaram a prenunciar o final dos tempos se esta produção fosse incluída nas indicadas à categoria de Melhor Filme. Sinceramente, não é para tanto.
Acostumado a produzir narrativas com o foco em personagens masculinos e no chamado bromance, Judd Apatow chegou a ser acusado de machista e misógino por boa parte da crítica. Apesar de ser apenas um dos produtores do filme, Missão Madrinha de Casamento surge como a versão feminina dos bromances. Contudo, não vá assistir ao filme esperando excesso de gentilezas e trocas de declarações afetivas entre mulheres. Nós, adultos, bem sabemos que esse lance de amizade feminina é história da Carocinha; no mundo das mulheres, o que conta mesmo é a rivalidade disfarçada de coleguismo.
Annie é a madrinha do casamento de sua melhor amiga, Lilian. Annie coleciona uma série de problemas: perdeu o seu pequeno negócio para a recente recessão norteamericana, é incapaz de manter relações estáveis com homens e ter sido escolhida como uma das madrinhas não foi uma boa ideia uma vez que a moça não tem o menor talento para despedidas de solteira ou chás-de-cozinha. Por outro lado, Helen, a nova amiga de Lilian, é o extremo oposto de Annie: magra, linda, bem casada e sabe organizar casamentos como ninguém. O antogonismo entre as duas é declarado desde o começo do filme e mostra que lições de camaradagem são praticamente nulas entre mulheres.
Se entre homens, há um grande excesso de sinceridade e honestidade, com as mulheres de Missão Madrinha de Casamento isso passa bem longe de acontecer. A linguagem é feita por olhares, pequenos gestos, voz doce e macia ocultando uma boa dose de veneno por trás delas. Não que as mulheres não conseguem demonstram pequenos arroubos de amizade. Contudo, o que de fato move o filme são os ataques de inveja, de ciúme e as mínimas vinganças pessoas de Annie contra Helen, e vice-versa.
Judd Apatow e Paul Feig, respectivamente produtor e diretor, podem até levar certo crédito pelo filme. Mas, as grandes autoras da produção são suas roteiristas, Kristen Wiig e Annie Mumolo, especialmente Wiig. Ela interpreta Annie, umas das personagens mais losers e engraçadas que eu já vi e que ainda tenta sair-se de bacana (uma espécie de Vani, no extinto Os normais). Não é difícil adivinhar que boa parte do humor negro envolvendo o universo feminino saíram de sua escrita. E, como se não bastasse isso, é dela os principais motes para o desenvolvimento do humor físico (impossível esquecer toda a sequência da prova dos vestidos das madrinhas e da noiva). Sem sombra de dúvida, o filme dela (e de quebra, o talento de Melissa McCarthy foi merecidamente reconhecido com uma indicação ao Oscar de Atriz Coadjuvante).
Missão Madrinha de Casamento pode receber todas as críticas negativas do mundo, mas abordou com profunda honestidade o comportamento feminino. E ainda conseguiu me fazer rir muito.

No comments: