Tuesday, April 03, 2012

Crítica: Florence + The Machine - Ceremonials (Universal, 2011)

Até aquele MTV Music Awards eu nunca tinha ouvido falar de Florence Welsh e nem de sua máquina. Confesso, que fui atingido por um misto de surpresa, beleza e pungência ao escutar o megahit The dogs day are over. Era a certeza de estar diante de algo peculiar e inusitado, totalmente diferente da massificação musical tão comum atualmente. Não se tratava daquele pop grudento, facilitado, fabricado com o mesmo cuidado que os criadores do chiclete tiveram para deixá-lo tão pegajoso. Sem dúvida, Florence + The Machine era um frescor musical.
O primeiro álbum foi um estouro. Sucesso absoluto e uma legião de fãs sendo arrebatada ao redor do mundo. Florence era a nova deusa de uma geração indie sedenta por uma novidade que valesse a pena ser seguida. Então, veio o tão comentado Ceremonials, segundo trabalho da cantora e sua banda. Será que a tão conhecida maldição do segundo disco também atingiria Welsh?
Começando pelo título, era evidente que este trabalho é mais do que um aglomerado de música. É praticamente um ritual mítico deste intenso simbolismo, indo deste a concepção gráfica à escolha dos títulos das faixas, dos instrumentos utilizados em cada canção. Sem dúvida, Florence almeja levar seu ouvindo a uma atmosfera emotiva, épica.
Only If for a Night já entrega as intenções de Ceremonials. São uma profusão de sinos, corais suntuosos e texturas melódicas ecoantes, arrastando-nos para o universo proposto pelo álbum. Os vocais de Florence estão ainda mais eficientes e poderosos. Shake it out, o primeiro single, apenas confirma tamanho virtuosismo vocal e pontencial sonoro, com uma percussão bem marcada contagiante.
What The Water Gave Me é uma mudança saudável no clima apoteótico que o álbum vinha tendo até em tão. Balada sombria, novamente apoiada em coral retumbante, é um convite à introspeção, à reflexão, totalmente dentro da proposta de Ceremonials. Never Let Me Go mantém o álbum nesse clima de ritual, com Florence ainda mais emotiva e profunda em seus vocais.
O novo álbum ainda traz Lover To Lover com sua clara energia soul, incomum na obra dos artistas. Sem dúvida, um dos pontos altos da obra. No Light, No Light é uma visita a um terreno bem conhecido pelos fãs: vocais crescentes, percussão coadjuvante quase protagonista. Tudo para nos preparar para a cereja do bolo que é Seven Devils, uma canção que não destoaria em anda se tivesse inserida em uma celebração religiosa. Heartlines continua esse clima de celebração, mas agora evocando os tambores dos rituais aborígenes ao redor de uma fogueira ou em algum recôndito africano. A canção final, Leave my body, tem explícita referência gospel e confirma mais uma vez toda a sensação ritualística que é colocar Ceremonials no drive e deixar-se perder por caminhos tão sonantes e profundos.
O novo álbum serve para consolidar o espaço conquistado por Lungs (2009) e ainda consegue a façanha de apresentar novas facetas dessa plural que é Florence Welsh. Sem dúvida, já estamos mais que devotados a essa belíssima cerimônia.

1 comment:

Ana Júlia said...

Seria bom aprender o nome dela e das músicas antes de escrever sobre.